A Origem da Maçonaria e sua Chegada ao Paraná

 

A jornada da Maçonaria confunde-se com a busca humana pela evolução moral, intelectual e social. Compreender o passado é o primeiro passo para justificar as nossas ações no presente.

1. Dos Canteiros de Obra à Maçonaria Moderna

A nossa Ordem possui suas raízes na Maçonaria Operativa, formada pelas corporações de construtores de catedrais da Idade Média. Com o declínio das construções medievais, essas confrarias passaram a aceitar membros que não eram operários da pedra, dando início ao período da Maçonaria Especulativa. A Maçonaria Moderna consolidou-se em 1717, na Inglaterra, dividindo-se posteriormente entre correntes tradicionais e modernas que moldaram a nossa rica ritualística.

2. Os Primórdios em Solo Brasileiro

Antes mesmo da fundação do Grande Oriente do Brasil (GOB) em 1822, as ideias libertárias já ecoavam em solo nacional através do Areópago de Itambé (1796) e da Loja Cavaleiros da Luz (1797). Os maçons foram os verdadeiros arquitetos de momentos capitais da nossa pátria:

  • O Dia do Fico (09/01/1822): Uma articulação puramente maçônica.

  • A Independência do Brasil (07/09/1822): Protagonizada por obreiros proeminentes como José Bonifácio e Joaquim Gonçalves Ledo, culminando com a iniciação do próprio Imperador Dom Pedro I.

3. A Tradição Maçônica em Terra Paranaense

A história maçônica do Paraná pulsa desde o período em que a região ainda era a 5ª Comarca de São Paulo. Conheça as pioneiras que desbravaram o nosso estado no Século XIX:

  • 1837 – Loja União Paranaguense: A pioneira do Paraná, fundada na Vila de Paranaguá. Praticante do Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA), trabalhou ativamente por 11 anos.

  • 1845 – Loja Fraternidade Corytibana: Primeira oficina fundada na Vila de Curitiba, enfrentando preconceitos em uma vila de apenas 10 mil habitantes.

  • 1847 – Loja Conciliação Morreteana: Fundada na histórica Vila de Morretes, mantendo-se ativa por 14 anos.

  • 1864 – Loja Perseverança (Paranaguá): Uma das oficinas mais importantes do período provincial. Teve papel heroico no movimento abolicionista, comprando a alforria de filhas de escravos, e recebeu o título de Grande Benemérita assinado pelo Irmão Deodoro da Fonseca.

  • 1871 – Loja Modéstia (Morretes): A primeira oficina do Paraná a adotar o Rito Adonhiramita, marcada por fortes trabalhos sociais na região.

Foi sob essa herança de coragem e princípios inabaláveis que a Maçonaria Paranaense se expandiu rumo ao interior do estado nas décadas seguintes.

🏛️ Menu 2: Saiba Mais (A Cisão de 1973 e a COMAB)

Crie esta página para explicar de forma transparente o contexto histórico de 1973, mostrando a importância do seu Patrono na liderança nacional.

O Movimento de 1973 e o Papel de Enoch Vieira dos Santos

Para compreender a fundação da A.R.L.S. Enoch Vieira dos Santos nº 118, é preciso mergulhar em um dos capítulos mais importantes da história da Maçonaria Brasileira contemporânea: o movimento de renovação de 1973.

A Crise Institucional de 1973

No ano de 1973, a Maçonaria brasileira viveu momentos de forte turbulência política interna. Durante as eleições para o Grão-Mestrado do Grande Oriente do Brasil (GOB), o grupo liderado pelo Irmão Athos Vieira de Andrade (Minas Gerais) venceu o pleito nas urnas, mas foi prejudicado por manobras judiciais e fraudes eleitorais na cúpula da obediência.

Inconformados com o desrespeito à soberania do voto e buscando resgatar a moralidade institucional, 12 Grão-Mestres Estaduais decidiram romper com o poder centralizador do Lavradio no Rio de Janeiro.

O Pioneirismo de Enoch no Paraná

Nesse cenário de crise, o Irmão Enoch Vieira dos Santos, que exercia o cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente do Paraná (GOP), despontou como uma das principais lideranças intelectuais e políticas do país.

No dia 4 de agosto de 1973, em Belo Horizonte, o Irmão Enoch assinou, junto aos demais líderes, a ata de fundação do Colégio de Grão-Mestres da Maçonaria Brasileira — órgão que em 1991 passaria a se chamar Confederação Maçônica do Brasil (COMAB).

A atuação do Irmão Enoch foi hercúlea:

  • Liderou o Grande Oriente do Paraná como o Grão-Mestre de maior tempo de mandato em toda a história do GOP (1970 a 1980).

  • Foi eleito o 5º Presidente Nacional da COMAB (gestão 1977/1978), consolidando a regularidade e o reconhecimento dos Grandes Orientes Independentes em todo o território nacional.

Legitimidade e Justiça Histórica

Adotar o nome de Enoch Vieira dos Santos para a nossa Oficina (fundada em 11 de agosto de 2000) não é um mero capricho nominal. Trata-se do resgate histórico e do tributo a um homem que enfrentou os dogmas de seu tempo para garantir uma Maçonaria justa, confederada, democrática e descentralizada no Brasil.

Seguindo os passos do nosso patrono, a Loja nº 118 mantém-se firme na preservação dos marcos regulatórios e na exaltação da verdade maçônica.

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